Imagine a cena...
Depois de uma noite de muito amor e paixão, a mulher e o homem geram uma vida, a mulher cuida daquela semente durante nove meses, passa por todo o trabalho de parto, batiza o filho com um belo nome como Luiz Henrique ou Maria Cláudia, amamenta, passa noites em claro cuidando da criança, leva para a creche, faz merenda, gasta fortunas com fraldas, escolinhas, papinhas, chupetas, brinquedos e mais um monte de coisa. Aí, quando o moleque já está lá com seus 15 anos, um amigo dele liga para a casa, a mãe ou o pai atendem e são obrigados a ouvir:
- Aê tia, o Xereca tá aí?
...
Por que, meu Deus? Por que as crianças têm essa mania de estragar um belo nome que a criança recebe, muitas vezes em homenagem a alguém, com um apelido? E nunca, mas nunca mesmo, são apelidos que exaltam uma qualidade ou algo positivo da pessoa. Sem falar no orgulho pros pais né?
- Mãe, pai, tô indo pra festa.
- Ok filho, mas quem vai?
- Eu, Tomate, Cotonete, Buiú, Presunto, no carro do pai do Azeitona. E no carro da mãe do Dedão, vão o Caveira, o Demônio e o Pirulito. Valeu? Beijos.
- Ai Jesus...
- Não, o Jesus não vai porque a mãe dele não deixou. Tchau.
E isso é só no caso dos homens. Para as mulheres, o nome é substituído pela primeira ou até a segunda sílaba do nome. Quando não vem com algum complemento ou sobrenome para diferenciar a falta de criatividade dos pais.
"- Mãe, hoje na escola teve mó confusão. Tava eu, a Pá, a Rá, a Fê, a Pri loira, a Pri morena, a Lu, a Lety Cat, a Taty Faria, a Taty Ramos e a Beta de bobeira no pátio, quando vieram aquelas metidas da turma 2B, a Rê, a Vivi, a Kel, a Paty, a Ju Oliveira, a Ju Rodriguez, e aquela grandona da Camy Queiroz querendo saber da gente quem foi que falou pro Lobão, namorado da Bia, que ela tinha ficado com o Reco-reco. Acredita?"
E não é pra matar qualquer pai de desgosto?