quinta-feira, 13 de março de 2014

Refasamba

Cliente reprovou e eu sofri calado.
Não deu pra aprovar nem com planejamento.
Queria dizer que ele estava errado,
mas preciso pagar o meu apartamento.
Com letras grifadas num e-mail ríspido
Chorei de emoção quando acabei de ler...
No finzinho, sublinhado e em amarelo,
Ele disse: “Redator, eu confesso,
Tô reprovando porque o meu sobrinho
manda melhor que você.”

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Brinco de mulher



Uma vez, eu me apaixonei por um brinco. 

Não, não pra eu usar, mas por um que estava sendo usado por uma mulher.


Esse brinco brincava comigo e cada dia ele aparecia de um jeito diferente. Tinha dia que ele aparecia de metal em forma de argola, tinha dia que era comprido de madeira ou casca de árvore.

Algumas vezes era apenas uma pedrinha brilhando discretamente, outra era uma pena de alguma ave tropical. Tinha vezes que o brinco nem aparecia, mas mesmo assim eu ficava ali olhando apaixonado.

Eu nunca fui tão fiel, mas fazia questão de não olhar para nenhum outro brinco. 

Às vezes até batia a tentação de olhar discretamente para um colar ou uma pulseira que tentava imitar o brinco, mas eu sempre voltava toda a minha atenção para aquela formosidade.


E sempre que podia, eu chegava bem perto do brinco e falava bem baixinho, quase sussurrando no ouvido da dona do brinco: Eu te amo.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tudo começaria pela capa.


Ele ainda era um daqueles últimos românticos que acreditava em encontrar sua alma gêmea no metrô ou no ônibus, numa quinta-feira de chuva, indo pro trabalho.

Ele não sabia como ela seria. Alta, baixa, loira, morena, olhos claros ou castanhos.  Só havia uma certeza sobre ela: estaria lendo o mesmo livro que ele.


Ele já havia imaginado aquela cena de diversas maneiras. E tudo começaria pela capa.

Ele estaria lendo “20.000 léguas submarinas”, ela também, eles dariam uma risada ao reparar nos seus livros, ela perguntaria se ele está gostando, ele diria que sim, ele perguntaria se ela já chegou na parte que aparece a lula gigante, ela diria que não, ele pediria desculpa pelo spoiler, ela responderia que ele poderia se desculpar pagando um café para ela e, a partir daí, começaria a ser escrita uma nova história.

Ou então, ele estaria lendo um clássico de Shakespeare, “Romeu e Julieta” talvez, ela também, eles dariam risada ao reparar nos seus livros, ele perguntaria se ela está gostando, ela diria que sim, ela perguntaria se ele acredita em amor à primeira vista, ele responderia que não acreditava até aquele momento, ela daria um risinho tímido, ele se apaixonaria pelas suas covinhas e, a partir daí, começaria a ser escrita uma nova história.


Ou, quem sabe, ele estaria lendo a biografia do Metallica, ela também, eles dariam risada ao reparar nos seus livros, ele perguntaria se ele está gostando, ele responderia que sim, ele perguntaria se ela já foi a um show deles, ela responderia que sim, mas sempre sozinha porque era a única do seu grupo de amigos que gostava de Metallica, ele falaria que tinha dois ingressos pro próximo show dele, ela aceitaria o convite e, a partir daí, começaria a ser escrita uma nova história.


E foi naquele dia, naquela quinta-feira chuvosa, que ele acordou com uma sensação diferente, uma sensação de que algo surpreendente iria acontecer.

Colocou seu livro “O Rei do Inverno” na mochila, saiu de casa, andou até o metrô, entrou no vagão mais perto da escada e olhou para as 3 mulheres ao seu redor.


Uma estava com um Kindle, outra com um Kobo e a terceira, que estava mais perto, com um iPad.

Todas estavam lendo, mas, sem as capas, nunca saberemos qual história.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ditadura Militar Criativa

Uma pessoa contou para outra pessoa que contou para outra pessoa que contou pra mim a seguinte história:

Na época da ditadura, uma famosa revista do Brasil foi obrigada pelo governo a colocar dois censores dentro da sua redação.
O trabalho deles era filtrar toda e qualquer informação que fosse contra a doutrina militar.
E assim durou por alguns anos. Os jornalistas tentavam relatar uma notícia, mas os censores iam lá e cortavam algumas partes, alteravam alguns trechos e até proibiam certos conteúdos.

Em um dado momento, um dos donos da revista pediu para que o editor-chefe ficasse amigos dos censores, para tentar aliviar a censura, dar aquela “afrouxada amiga” e fazer vista grossa para algumas coisas.
Mas a censura continuava, as matérias iam sendo podadas, os jornalistas iam se revoltando cada vez mais, mas de nada adiantava.
E, como em qualquer revista, os jornalistas precisavam escrever suas matérias e os exemplares precisavam ir pra rua pra vender.

Um certo dia, os censores avisaram o editor-chefe que iam sair da revista. Esse editor perguntou para eles, quem viria para ficar no lugar e eles foram objetivos na resposta: ninguém.
Curioso, o editor-chefe indagou por que não haveria mais censores, já que os militares ainda estavam governando no país com mão de ferro.

Eis que um deles respondeu: no começo, a gente precisava censurar antes das matérias irem para as ruas. Os jornalistas ficavam bravos, reclamavam, davam "pití" mas tinham que obedecer. Com o tempo, eles foram criando o hábito de escrever suas matérias já pensando na censura. Pouco depois, a gente nem precisava filtrar, pois os textos já vinham do jeito que a gente queria. Agora, tudo que é escrito, já vem censurado pelo próprio jornalista.



E assim ainda acontece no dia a dia de muitas agências.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Espero que saibas a sorte que tens.

"Tu não sabes quem eu sou, mas eu sei quem tu és... e só preciso de um minuto da tua atenção.

Espero que saibas a sorte que tens. O quanto eu gostaria de estar na tua pele. Poder estar na mesma cama que ela todas as manhãs. Ajudá-la a acordar da má disposição matinal.

Espero que saibas que ela não te vai falar enquanto não lavar os dentes. Não é por mal... é por medo de perder o encanto aos teus olhos. Que a consideres um ser humano comum.
Espero que saibas que ela gosta de aproveitar cada raio de sol, e que o café a deixa mal disposta.

Que escolhe a roupa que vai vestir na noite anterior, só para poder ter mais cinco minutos de sono pela manhã. Que o despertador toca cinquenta vezes até que se levante, e que mesmo assim, consegue chegar a horas.

Quero também dizer-te que ela adora histórias do fantástico. Mas não de terror! Que é capaz de saber o nome de todas as personagens de um livro antigo, mas que não se vai esforçar para decorar o nomes de todos os teus amigos à primeira...
Porque ela... ela é que sabe de si.

Tu nunca serás uma sorte para ela. Sorte é poderes tê-la na tua vida.
Sabes? Ela não é romântica por natureza, mas uma demonstração espontânea da tua parte vai fazê-la fraquejar. Porque ela é segura e doce ao mesmo tempo.

Ela não sabe cozinhar, mas vai esforçar-se para fazer o teu prato preferido. E se não estiver bom, ela vai rir-se do falhanço, em vez de corar.

E quando ela ri... quando ela ri eu tenho vontade de chorar. Não de tristeza, mas porque cada gargalhada é como uma nota musical que toca ao coração e me faz querer dançar.

Ela é tudo o que eu queria e nunca soube que tive.

Aprende que a arritmia que sentes com ela é normal!
E que a falta dela é um vazio igual à morte.
Espero que sejas tudo aquilo que eu nunca fui.
Espero que a trates bem. Porque se lhe partires o coração vais perdê-la para sempre. 
Pudesse eu ter lido o futuro."

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Viver dá um trabalho.



Eu já nasci dando trabalho. Trabalho de parto. Mas o maior trabalho foi convencer meu pai a parar de chorar de felicidade. E quem pensa que depois ficou fácil, pense de novo. Eu cresci trabalhando. Trabalhei como ilustrador de parede da sala, arquiteto de castelos de areia e roteirista de histórias com bonecos de ação. Mas sempre dava um jeito de encaixar um cochilo no meio do expediente.

Aí chegaram a adolescência e os benefícios da juventude. E eu continuei dando trabalho pros meus pais, pros professores, pras namoradas e pra polícia. Mas isso foi só a fase de trainee. Depois eu fui promovido e tive que procurar trabalho. Essa parte foi difícil, mas eu sempre pude contar com a ajuda de chefes experientes e colegas de trabalho que me ensinaram exatamente o que eu precisava saber. Tudo.

Agora, eu só penso em formar minha própria empresa. Até fiz alguns processos seletivos, mas ainda estou à procura da sócia ideal. Quando encontrar, pensarei na segunda parte do plano: ter um júnior. Isso vai me custar várias horas extras. Não quero nem imaginar o trabalho que isso vai dar. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Luz. Câmera. Amor.


A história de nós dois sempre foi coisa de cinema. Uma roteiro completo, com aventura e romance, drama e comédia.

Quando eu te encontrei, sabia que era amor à primeira vista. Mesmo com meus amigos falando para eu curtir os embalos de sábado a noite.

A cada beijo seu, eu falava que estava pronto pro fim dos dias. Afinal, eu não estava mais à procura da felicidade. Ela estava comigo sempre que eu ficava de olhos bem fechados.

Todo dia eu olhava pra cima e agradecia o poderoso Chefão por colocar alguém assim na minha vida: uma mulher nota 1000.

Com você, eu me sentia eternamente jovem. Ao mesmo tempo que nosso sentimento ia se tornando duro de matar. Imortal.

O tempo passou. Nosso amor acabou. E o vento levou.

Mas nem o Super-Homem aguentaria uma vida sem seu amor, seu abraço, seu beijo, seu macarrão com queijo.

Era uma missão impossível.

Eu te amei muito no passado. Te amo no presente. E faço de tudo pra ter você de volta pro futuro.

Por isso, que tal colocar nosso amor á toda prova e encarar a verdade nua e crua: A gente merece um “the end” feliz.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Desculpas...

Ele tentava pedir desculpas, tentava falar que foi sem querer, mas ela não o perdoava de jeito algum.

- Amor, me perdoa, eu nunca mais farei isso.

- Não tem como! O que você fez é imperdoável! Mulher nenhuma no mundo poderia perdoar um absurdo desse!

- Mas querida, foi algo totalmente sem importância.

- Sem importância?! Sem importância para você! A mim magoou profundamente!

- Desculpa, eu não sabia que ia te magoar tanto, porque eu te amo...

- Me ama? ME AMA?! Se me amasse de verdade, nunca teria feito isso! Que canalha!

- Já falei, eu não sabia que isso significava tanto para você. E eu juro que isso nunca mais acontecer.

- Não adianta! Uma vez é o suficiente. E quer saber de uma coisa? Eu quero o divórcio!

- Divórcio, amor? Por causa de uma besteira dessas? Como assim? Como você quer jogar 20 anos de casado no lixo por causa de uma bobagem?

- Sim! É o que você merece! Quando você me perder, vai ter tempo o suficiente pra pensar no que fez.

- Amor, eu já pedi desculpa. Para com essa ideia de destruir nosso casamento por causa de uma coisa tão simples. Pense nos nossos filhos!

- Eu estou pensando neles! Principalmente no Junior! Eu não quero nem imaginar ele crescendo com um pai que faça esse tipo de coisas com uma mulher!

- Não fala assim, amor. Eu já estou me sentindo muito mal com isso... Não precisa falar assim.

- Preciso sim. Para você aprender! E quer saber? Hoje você não dorme aqui. Faz sua mala e rua! Vai pra casa dos seus pais, de algum amigo ou hotel, mas hoje a gente não dorme debaixo do mesmo teto!

- Amor...

- Nada de amor! Pode sair!

- OK... Mas pelo menos me promete que amanhã a gente senta e conversa melhor sobre isso tudo? Por favor? Pelos nossos 20 anos juntos, pelos nossos filhos.

- Pode ser, mas eu não prometo nada. Depois a gente se fala.

(ele sai de casa)

- Ô dona Helô, que que houve entre a senhora e o doutor Maurício?

- Ele me desrespeitou! Me humilhou! E ainda teve a audácia de prometer que não iria fazer de novo! Que ridículo! Acabou tudo entre nós. Como eu posso confiar num homem que pergunta se eu tenho certeza se devia pegar mais um bombom da caixa?!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tropa de Elite 2 no Oscar


Wagner Moura sobe no palco e fala pro resto da equipe que vem atrás

- NÃO VAI SUBIR NINGUÉM!


Wagner Moura agradecendo pelo Oscar

- QUEM MANDA NESSA PORRA AQUI, SOU EU!


Wagner Moura dando entrevista no Red Carpet:

- We are here with Wagner Moura, also known as Capitain Nascimento on Tropa de Elite Two. Who would you like to thank for this award?

- Põe na conta do Papa.


Charlie Sheen cumprimentando o Wagner Moura pelo Oscar:

- Hey man, congrats on the award. We’re going to an after party at my place. Wanna join us?

- Capitão, isso vai dar merda, capitão!


Na hora da entrega do prêmio de melhor filme estrangeiro:

- And the Oscar goes to… Just a moment… Wait a minute… It seems the envelop is stuck. Can anyone assist me?

- PEDE PRA SAIR! PEDE PRA SAIR, PORRA!


Durante o jantar pós-premiação:

- Ladies and gentlemen, tonight we'll have italian salad and lamb and mushrooms.

- OS SENHORES TÊM DEZ SEGUNDOS PARA ALMOÇAR


Após receber o prêmio, Wagner Moura vai para o camarim e encontra com Justin Bieber:

- Wow, you’re that badass cop from that Brazilian movie, right? All the clothes I wear in my tour were inspired in your movie!

- TIRA ESSA ROUPA PRETA QUE VOCÊ É MOLEQUE!


Para comemorar o Oscar, montaram um show com Gilberto Gil, mas ele se perdeu e o Wagner Moura foi procurar.

- CADÊ O BAIANO? CADÊ O BAIANO, PORRA??!!


UPDATE:

Já que as atenções do dia foram divididas entre a escolha de Tropa de Elite 2 como filme brasileiro para disputar o Oscar e o vídeo do sanduíche íntimo...

- Capitão, é assim que faz esse sanduíche?

- É isso aí. Fatiou, passou.


CAVEIRA!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Aula de história.

MELHOR EXPLICAÇÃO DE TODOS OS TEMPOS! VAI, ACEROLA!







"Aí o Zé Bunda foi querer invadir essa parte que era gelada..."